Ouvindo: Negative Control – Máquina humana
Foi tudo muito tranqüilo, aliás, foi mais tranqüilo até do que eu imaginava.
Na quinta-feira dia 3, a Tati já reclamava de algumas contrações durante o dia, que logo depois de uma ligação para o Obstetra ela fez o favor de se acalmar, e eu é claro naquela expectativa doida de saber como seria os passos até o nascimento do Felipe, ainda mais agora na reta final.
Voltei da feira noturna, que é minha terapia semanal para poder inspirar um ar mais agradável, tomei um banho e fui dormir cedo, estava muito cansado, sentindo o meu sono atrasado a 1 semana mais ou menos. Na madrugada uma movimentação que eu já estava habituado, mas nem um pouco contente, porque a Tati não estava conseguindo dormir por causa da barriga grande, que cada vez ficava mais difícil achar uma posição ideal para dormir e acabava tendo que se virar pra lá e pra cá… como meu sono é relativamente leve eu acabava acordando…
Ouvi ela falando ao telefone com a mãe a respeito de um possível estouro da bolsa, respirei fundo, passei a mão na cara e pensei: “Putz, Felipe tá vindo” – Mas pra mim isso só seria mesmo um fato consumado com a confirmação do médico, que prontamente depois de uma ligação da Tati, que deveria ser por volta das 2:20 da manhã, avisou que pelos sintomas ela poderia estar entrando em trabalho de parto.
25 minutos depois estávamos no hospital Unimar, o médico já estava lá pronto para fazer o check-up inicial. Depois do exame fui chamado para a sala e confesso que fiquei um pouco apreensivo, mas ainda bem foi passageiro pois o caso era que a Tati realmente estava com a bolsa rompida e tinha que fazer uma escolha, ou fazer a cesárea e entrar na faca naquele momento ou esperar uma possível chance de dilatação para tentar o parto normal. Como não sabíamos ao certo quanto tempo poderia levar até o “ponto” para o parto normal, decidimos pela cesárea.
Fiquei admirado com a rapidez da equipe de cirurgia, que em 35 minutos já estava toda lá praticamente pronta para o parto. Me pediram pra vestir uma roupas para entrar na sala de cirurgia e aguardar até que eles preparassem o campo para eu poder entrar… Acho que em uns 20 minutos estava eu com a câmera na mão dentro da sala de cirurgia vendo a Tati entrar na faca.
Quando eu menos esperava o médico disse algo parecido com um “Vamos lá” – Mudei a câmera para opção de filmagem e tentei não perder nada, (acho que não perdi) a estréia do Felipe, que por volta das 3:57 surgiu com um grito do tipo “Não! Não!” , mas mal sabia ele que já era tarde. Depois de aspirado, agitado, cortado o cordão umbilical, Felipe foi “embrulhado” e levado para ser limpo.
Enquanto eles costuravam a Tati eu fiquei perto dele, tentando imaginar o que se passava mente de uma criança nos seus primeiros momentos após o parto. O que será que os olhos dele estavam procurando? As mãos tentavam tatear o que? E o nariz? Qual odor estava procurando?
Cesárea costurada, Felipe limpo e morrendo de fome, aliás na maca mesmo ele já foi mamando, subimos para o quarto onde a Tati iria ficar de observação. A equipe foi muito show de bola, nos atendeu em tudo que precisamos, ocorreu tudo tão bem que de verdade achei até estranho… é Murphy.
A Tati no sábado de manhã já estava em casa, toda dolorida porque o efeito dos anestésicos tinha passado de vez, e eu babando… a continuação dessa história eu conto depois, e dessa vez eu prometo.










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